segunda-feira, 25 de junho de 2018

Aumenta o número de acidentes de trabalho com vítimas fatais em Sorocaba (SP)

O número de mortes por acidente de trabalho em Sorocaba no primeiro semestre de 2018 já ultrapassou o total ocorrido em todo o ano passado. Segundo dados do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Sorocaba (Cerest), de janeiro a 19 de junho deste ano, foram seis mortes contra cinco durante todo o ano de 2017, o que já representa um aumento de 20%. O coordenador do Cerest e médico do Trabalho, Paulo Cordeiro, afirma que as mortes por acidente de trabalho na cidade estão aumentando e que "aparentemente" os trabalhadores e as empresas parecem estar sendo omissos e displicentes em relação às normas de segurança. A última morte ocorreu na terça-feira (19) com um azulejista de 38 anos, que trabalhava na obra de um prédio, na Vila Progresso, em Sorocaba. Ele foi eletrocutado após jogar uma extensão elétrica do terceiro andar do prédio, e o fio teria encostado na rede da via pública. O Ministério do Trabalho foi questionado sobre os aumento dos casos, mas não encaminhou resposta. 
Outro dado preocupante, segundo o coordenador do Cerest, é que as mortes por acidente de trabalho em Sorocaba podem ser ainda em número maior por conta das sub-notificações. A sub-notificação ocorre quando a morte do trabalhador não é formalizada, o que acaba gerando um índice abaixo da realidade, ou seja, os números oficiais não revelam a realidade dos fatos. 
Além disso, Cordeiro afirma que a questão da fiscalização nas empresas é outro problema que contribui para o aumento dos casos. "A sub-notificação de acidentes é enorme e existem poucos fiscais do trabalho na região de atuação do órgão, que compreende 33 cidades. E parece que não temos perspectiva de um aumento do efetivo", diz ele. 


Terceirização e segurança 
Segundo Cordeiro, o Ministério Público do Trabalho utiliza as unidades do Cerest para suas ações de fiscalização e denúncias de irregularidades no ambiente de trabalho. Ele destaca ainda que com a nova legislação trabalhista muitas empresas não estão dando a devida atenção ao quesito segurança. "Com a presença de terceiros em todas as atividades acaba ocorrendo a transferência de responsabilidade de segurança para o contratado como se a empresa não tivesse a corresponsabilidade com o trabalhador e o serviço", pondera. 
Segundo o Cerest, as mortes no trabalho ocorrem de diversas formas como contusões graves por quedas de altura, colisão ou prensamento por objetos diversos e máquinas, entre outros. O órgão afirma que faz a investigação dos acidentes, com ou sem mortes, e prepara a comunicação de acidente de trabalho quando a mesma não é feita pela empresa. "O Cerest também investiga a relação da doença ou morte com o trabalho, e realiza um apoio à família do acidentado em diversos aspectos, desde a assistência legal e orientação ou direcionamento em como utilizar os recursos", disse o coordenador. 
Cordeiro destaca ainda que a prevenção das mortes e das doenças do trabalho é uma das principais finalidades do Cerest, bem como as normas regulamentadoras em segurança e medicina do trabalho. "A forma de atingir esses objetivos é por meio de campanhas permanentes de orientação à população e aos trabalhadores dos riscos e como evitar as doenças e acidentes", diz.

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