terça-feira, 22 de maio de 2018

Organização do trabalho e saúde mental

Desde que o mundo é mundo, o Homem sempre trabalhou de uma forma ou de outra. Porém a história do trabalho "organizado" passa minimamente por três grandes fases distintas. Os primórdios do trabalho pela e para a sobrevivência condenava o homem a uma carga excessiva na sua jornada, sem nenhuma preocupação  com sua saúde. Em seguida surge a luta da classe trabalhadora por melhores condições de trabalho, marcando a importância da segurança, higiene e prevenção das doenças para manutenção da saúde física. Com as grandes mudanças e as transformações contínuas neste universo laboral, finalmente a história culmina na urgência em se pensar a relação saúde  mental e trabalho.
Dejours (1988) questiona a contribuição nociva do trabalho para a saúde mental do trabalhador e ele mesmo responde: a organização do trabalho. 
Alguns fatores pontuais podem afetar a saúde mental do trabalhador tais como agentes tóxicos, assédios moral ou sexual, assaltos ou outras situações traumáticas. Porém, as políticas de gerenciamento de pessoas e funções moldadas pela cultura organizacional tem se destacado como fatores de sofrimento e adoecimento mental.

Muitas vezes, o despreparo gerencial, a falta de comunicação, as mudanças e imposições arbitrárias dentro do ambiente de trabalho podem gerar quadros psicopatológicos, tais como os transtornos de ajustamentos.
Atualmente podemos encontrar nos diversos meios de comunicação, coachs de empresas salientando a diferença entre o líder  e o chefe. Chefia não combina mais com o novo quadro funcional de qualquer empresa. O ser humano evoluiu para assumir o seu pensar e ser. Ele não aceita mais fazer sem entender. Quando esta situação se estabelece, ele descompensa emocionalmente. 
Um líder tem a função de conduzir um trabalho sabendo que precisa da colaboração de outras pessoas, estimulando-as com situações favoráveis ao investimento afetivo pessoal, com segurança e qualidade de vida. 
O verdadeiro líder é aquele que motiva o trabalhador a acreditar e desenvolver seu potencial com prazer, bem-estar e saúde.

Márcia Regina da Silva - psicóloga do CEREST Regional de Pindamonhangaba.


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