quarta-feira, 2 de maio de 2018

Manifestação em Piracicaba (SP) denuncia número de acidentes de trabalho; cidade tem média de 24 por dia

Piracicaba (SP) registra uma média de 24 acidentes de trabalho por dia, segundo dados do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest). No total, foram 45.147 acidentes nos últimos 5 anos. Na manhã da sexta-feira (27 de abril), um grupo de moradores fez uma manifestação na Praça José Bonifácio, no Centro da cidade, para conscientizar a população sobre o problema.
A manifestação foi feita em homenagem ao Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes de Trabalho, que é lembrado neste sábado (28). Segundo informações do Conselho das Entidades Sindicais de Piracicaba (Conespi), que participou do ato, cerca de 100 pessoas se reuniram no Largo do Mercado Municipal, e após atravessar as ruas centrais da cidade, terminaram a manifestação na Praça José Bonifácio. A Guarda Municipal e a Polícia Militar não acompanharam o ato.
Ainda de acordo com os dados do Cerest, somente no ano passado, foram registrados 7.436 acidentes de trabalho, uma média de 20 acidentes por dia ou quase um por hora. Em 2017, foram 13 mortes de trabalhadores.
Do total de acidentes registrados no ano passado, 5.917 são leves, 1.117 moderados e 389 graves, sem contar os 13 casos que terminaram nas mortes dos trabalhadores.
Os dados revelam, no entanto, que a ocorrência de acidentes tem reduzido nos últimos anos. Entre 2013 e 2016 foram:

Em 2016, 7.760 acidentes de trabalho
Em 2015, 8.779 acidentes de trabalho
Em 2014, 10.344 acidentes de trabalho
Em 2013, 10.828 acidentes de trabalho
O presidente do Conespi, Francisco Pinto Filho, afirmou que os acidentes têm diminuído por inúmeras ações desenvolvidas por parte dos sindicatos, que realizam campanhas educativas e por medidas de prevenção que se tem tomado em todas as categorias, e de parte do empresariado.
No entanto, para ele, os números de acidentes continuam altos. "Todos os avanços que conquistamos ao longo dos anos, com muitas ações e trabalho de conscientização tanto do empresariado para que invista em segurança está em xeque com a Reforma Trabalhista. Temos reduzido o número de acidentes de trabalho, mas ainda estão ocorrendo, o que é inadmissível".

54 mortes em cinco anos
Para a reportagem, o técnico em segurança do trabalho do Cerest Piracicaba, Alessandro José Nunes da Silva, afirmou que o número de mortes é alto para uma cidade do porte de Piracicaba, que tem 397.322 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Além disso, Silva apontou que a boa parte dos acidentes que terminam em morte do trabalhador ocorre em serviços informais. "O Cerest considera alto os acidentes de trabalho com morte, mas não está acontecendo em serviços mais organizados, onde conseguimos intervir", explica.
Segundo o professor e advogado especialista em direito trabalhista José Antonio Cremasco, acidentes de trabalho que ocorrem em serviços informais, sem contrato formalizado, também rendem indenização ao funcionário ou à família.

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