quarta-feira, 25 de abril de 2018

Obra em que operário morreu soterrado em Limeira causou danos em imóveis vizinhos, aponta laudo

O laudo da Secretaria de Urbanismo de Limeira (SP) emitido após uma vistoria no terreno em que o operário Wilsen Fermino, de 31 anos, morreu soterrado apontou que a obra causou danos em dois imóveis vizinhos. Um deles é o prédio dos Correios, onde o muro dos fundos cedeu e causou a morte do trabalhador em 20 de fevereiro.
Segundo a administração municipal, foi feita a vistoria no local após a morte do trabalhador para avaliar as questões estruturais da obra. A investigação sobre a morte de Fermino são responsabilidade da Polícia Civil, completa a administração.
"Constatou-se que a execução das obras no local resultou em danos às edificações vizinhas. No imóvel da rua Tiradentes, número 501, foi identificado escorregamento de solo, resultando em rebaixamento do piso e fissuras na alvenaria. Na edificação da rua Tiradentes, 523, foi identificado recalque na fundação do muro de divisa, ocasionando trincas na alvenaria", informou a prefeitura.

O imóvel da rua Tiradentes número 501 é a sede dos Correios no Centro de Limeira, enquanto no de número 523 existe uma loja. Na época do acidente, a prefeitura informou que a construção estava regularizada, pois possui alvará de construção emitido em janeiro.

Mestre obra que contratou operário morreu, diz Polícia Civil
O delegado do 1º Distrito Policial (DP) de Limeira, Francisco Paulo Oliveira Lima, informou que o mestre de obras que contratou Wilsen Fermino morreu em um acidente de moto uma semana depois do óbito do operário. Ele era padrasto de Fermino.
"Ele [mestre de obras] contratou o enteado para trabalhar com ele, sem registro, sem nada. Não usaram equipamento. Em tese, ele era o contratado para fazer o início da obra. Faleceu uma semana depois, de acidente de moto", informou o delegado.
O mestre obras foi contratado para fazer o muro de arrimo e pagava o serventes, o que inclui Fermino, mas não havia vínculo assinado. Segundo o delegado, a família da vítima deveria representar contra o contratante, mas há o parentesco entre eles. "Não houve dolo, houve negligência e seria responsabilizado administrativamente o próprio padrasto".
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Cerâmica, Construção e do Mobiliário de Limeira e Região informou que chegou a procurar a família de Fermino e os responsáveis pela obra, mas a família não voltou a entrar em contato com a entidade representativa.

O acidente
De acordo com a Defesa Civil, três trabalhadores estavam em um andaime quando o muro cedeu. Dois deles conseguiram pular, mas a vítima ficou soterrada.
"O muro de arrimo é dos Correios, pertence ao Correio, né? Só que esse operário ele tava trabalhando em uma obra do lado. Estavam cortando a cabeceira desse muro para fazer uma nova formação e concretar no dia de amanhã", informou o delegado do 1º DP no dia da morte.
O Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram ao local para atender a vítima, que sofreu politraumatismo e teve parada cardíaca. De acordo com o Samu, a equipe tentou reanimar o homem por 22 minutos, mas ele não reagiu.
Também no dia da morte, os Correios informaram "que a obra e o trabalhador envolvido não são dos Correios. O atendimento da agência não foi prejudicado e a área de engenharia dos Correios está acompanhando o ocorrido."

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