quinta-feira, 19 de abril de 2018

Acidentes de trabalho envolvendo catadores de lixo crescem 60% em MS

Os registros de acidentes de trabalho envolvendo catadores de lixo teve aumento de 60% no ano passado em Mato Grosso do Sul quando comparados com 2016. Conforme os dados do Ministério Público do Trabalho e do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, em 2017 foram 248 casos registrados contra 155 no ano anterior. A CG Solurb é a empregadora que lidera o ranking das notificações.
O juiz do Trabalho Márcio Alexandre da Silva, que também é gestor regional do Programa Trabalho Seguro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), explicou que, “esses acidentes acontecem por elementos perfurocortantes, lixo mal acondicionado e a forma como o trabalho é desenvolvido”.
Além disso, segundo ele, os trabalhadores são vulneráveis a lesões musculares, quedas, fraturas e afastamentos porque  correm segurando o lixo atrás dos caminhões ou ficam pendurados no veículo.
Outro problema apontado por Márcio é a falta de utilização da coleta seletiva por parte da população que não acondiciona o lixo de maneira adequada, provocando ferimentos nos garis.
A orientação é embrulhar vidros quebrados e outros materiais cortantes em papel grosso, como um jornal, ou colocá-los em uma caixa para evitar acidentes. Lembrando que, garrafas e frascos não devem ser misturados com os vidros planos.

PREJUÍZOS
O procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho, Leontino Ferreira de Lima Junior, enfatiza que, o impacto financeiro dos acidentes de trabalho é muito grande. “Em termos previdenciários, por ano, é uma média de R$ 26 bilhões no Brasil todo com o pagamento de auxílios previdenciários decorrentes de acidentes de trabalho. E esse é o custo direto dos trabalhadores com contratos de trabalho formais. Ainda há um custo muito grande indiretamente que são os trabalhadores informais e os dias perdidos já que esses trabalhadores afastados saem temporariamente do serviço e o empregador fica desfalcado ou tem que contratar outro para repor essa mão de obra. Então há uma série de prejuízos financeiros, além do prejuízo à vida e saúde do trabalhador que é quem mais sofre", declarou.

ABRIL VERDE
Várias ações estão sendo realizadas neste mês para conscientizar patrões e empregados sobre os riscos de acidentes no ambiente de trabalho.O movimento ficou conhecido como Abril Verde.  Só em Mato Grosso do Sul, foram registrados 7.830 acidentes e 38 mortes em 2017. Além dos óbitos que impactam diretamente as famílias das vítimas, há perdas financeiras com gastos previdenciários e dias de trabalho perdidos com afastamentos.

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