quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Parcerias entre entidades são fundamentais para Politica de Saúde do Trabalhador, diz palestrante

A palestrante convidada para participar da disciplina Seminário de Pesquisa I do Mestrado Stricto Sensu “Trabalho, Saúde e Ambiente” da Fundacentro, Maria Teresa Bruni Daldon destacou em sua apresentação que a integração entre a vigilância sanitária e outras entidades de vigilância da saúde são de fundamental importância para que se construa uma Política de Saúde do Trabalhador.
A Vigilância em Saúde do Trabalhador, tema abordado por Maria Teresa colocou que além dessa integração é preciso que os projetos envolvam o trabalhador e não apenas tratem as questões unicausais sem que se entenda o contexto. “Conseguimos retroceder na história e em tudo que se construiu ao longo dos anos e a construção não está sendo feita com o trabalhador”, disse. Para ela, lidar com questões associadas à saúde do trabalhador é um campo imprevisível e variável.
Para justificar sua colocação, a terapeuta ocupacional traçou a história da vigilância sanitária no Brasil mostrando que ao mesmo tempo em que houve avanços, a verdadeira missão de inserção do trabalhador vem se perdendo.

A vigilância sanitária, já existente na antiguidade, não estabelecia a relação entre saúde-doença. O sofrimento nesse período era encarado como algo normal. Em 1700, surge o renomado médico Bernardino Ramazzini que passa a questionar as pessoas sobre suas atividades cotidianas e estabelecer a relação das doenças com a atividade laboral, que culmina na publicação do livro “As Doenças dos Trabalhadores”, relançado no ano passado pela Fundacentro. Leia a obra de Ramazzini.
Com a chegada da revolução industrial, em meados dos anos 1800 foi um período marcado pela necessidade da força de trabalho que geraria condições precárias e insalubres. É nesse período que há um aumento dos riscos laborais, acidentes e doenças, surgindo a figura de um profissional médico.
Mas o movimento sanitário começa a se manifestar nos anos 70/80, dando voz ao surgimento do termo saúde do trabalhador. Já na década de 90, os sindicatos passam a se organizar pelas condições de trabalho e é nesse período que surge a Instrução Normativa 3.120 de Vigilância em Saúde do Trabalhador no SUS, aprovada pela Portaria nº 3.120, de 1º de julho de 1998 e o Programa de Saúde do Trabalhador.
De 1999 a 2009, começa a tramitar a Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho (PNSST), a qual é publicada em 7 de novembro de 2011, por meio do Decreto 7.602. Neste mesmo ano foi criado o Programa de Vigilância de Saúde do Trabalhador no SUS para o município de SP.
Daldon apresentou aos alunos do mestrado que o principal objetivo da vigilância é compreender o passo a passo dos trabalhadores, mas que na prática, grande parte das unidades de saúde não consegue estabelecer essa comunicação. Um “case” de sucesso apresentado pela palestrante envolveu a participação dos trabalhadores do segmento de teleatendimento e foi conduzido pelo Cerest da Freguesia do Ó.
Outro ponto que foi destacado por Maria Teresa foi a elaboração do Mapa de Riscos que vem perdendo seu papel principal de inserir o trabalhador nas discussões. “O Mapa de Riscos hoje são em sua maioria encomendados e não envolvem a contribuição do trabalhador, descaracterizando sua participação”, diz.

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